Moradores resistem à demolição de casas no Parque Burnier e afirmam não ter para onde ir
A Prefeitura de Juiz de Fora iniciou, nesta quinta-feira (22), a demolição de imóveis condenados pela Defesa Civil no Parque Burnier, bairro onde 22 pessoas morreram durante as fortes chuvas de fevereiro. A operação, no entanto, encontrou resistência de famílias que afirmam ainda não ter recebido uma alternativa de moradia.
Uma moradora relatou que, embora tenha sido contemplada pelo programa federal Compra Assistida, ainda não conseguiu adquirir outro imóvel. Ela também afirma não ter recebido auxílio-aluguel nem comunicado sobre a demolição.
Diante da resistência, a Prefeitura suspendeu a derrubada das casas ocupadas, mas manteve os trabalhos em outros pontos do bairro. A Polícia Militar foi acionada e registrou a ocorrência.
Segundo o município, todos os moradores de imóveis com ordem de demolição estão incluídos no Compra Assistida. A administração também reforçou que as construções foram interditadas por apresentarem riscos e não podem voltar a ser ocupadas.
Os números mostram que a situação habitacional ainda está longe de ser resolvida. Das 1.916 famílias que solicitaram o benefício, 1.640 tiveram os pedidos aprovados. Entretanto, segundo a Caixa Econômica Federal, apenas 311 famílias já estavam em imóveis adquiridos pelo programa.
A tragédia de fevereiro deixou 66 mortos em Juiz de Fora, sendo 22 somente no Parque Burnier. Meses depois, a cidade ainda enfrenta as consequências dos deslizamentos e o desafio de garantir moradia segura às famílias atingidas.


Escreva um comentário